
Venho refletido muito esses dias sobre como são construídos os laços entre as pessoas e quais são os parâmetros, se é que eles existem, pra esses laços serem considerados verdadeiros, autênticos de fato. E começo a pensar no que as pessoas geralmente usam como tal.
O tempo, por exemplo. Muita gente acredita que a força e a sinceridade do laço estão necessariamente atreladas ao tempo de convivência.
Não concordo.
A presença é outro. Quanto mais fisicamente presente a pessoa na sua vida, maior o laço. Também não é verdade.
E, se continuarmos pensando, vamos conseguir listar inúmeros parâmetros que as pessoas usam pra qualificar uma amizade, um bem-querer ou sei lá. Mas a gente, na maioria das vezes, tem uma necessidade tão grande de estabelecer esses tais parâmetros pra tudo e usá-los pra qualificar a nossa vida e as relações com as pessoas que a constróem, que, das duas uma:
Ou a gente não se permite muita coisa por conta disso tudo e acaba perdendo momentos e pessoas maravilhosas que vão aparecendo;
Ou a gente é pego desprevenido, num momento em que não colocamos todas aquelas paredes de exigências pra aqueles que podem fazer parte da nossa vida transporem. E aí, meio que sem saber como, acabamos sentindo saudades de quem a gente nunca viu, amando quem a gente nunca esteve perto, e descobrindo que não tem tempo mínimo, não tem distância física mínima, não tem parâmetro objetivo que se possa estabelecer pra qualificar, ou desqualificar uma amizade.
Tenho procurado me despir desses parâmetros, andar propositalmente desprevenida. E creio ser por isso que venho sendo tão feliz!
Muito muito obrigada a quem tem sido parte dessa felicidade!